domingo, 22 de novembro de 2009

Horário de verão

Durmo tarde, acordo cedo, penso: é domingo! e viro pro outro lado, cubro os ombros e durmo mais. Acordo novamente, xixi, água e me jogo de novo na cama feliz, abrançando o travesseiro. Durmo mais. Durmo mais? O telefone grita do outro lado do meu sono. Atendo com um oi, advinhando quem está do outro lado da linha. Só mesmo minha mãe para ligar domingo de manhã. Oi, mãe... a voz dela saltita no telefone: dormindo até essa hora?? sim, mãe, domingo, nove e meia da manhã de domingo. eu posso dormir até meio dia, mãe, é domingo. que nove e meia! dez e meia, já. horário de verão, esqueceu? é, esqueci mãe. não ajustei meus relógios (nunca ajusto meus relógios, mãe, o tempo é uma convenção).

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

hotel California


Ainda que a dor me esmague a vontade
Ainda que os cheiros não me afetem o olfato
E as cores não façam dançar meus olhos
Ainda que o calor morno do sol da tarde não me energize
Ou que o vento não revolva meus cabelos
Ainda assim, ouvir uma velha canção dos Eagles
Pode me fazer sorrir.

domingo, 4 de outubro de 2009

Las simples cosas



Mercedes morreu hoje. Sua voz marcou minha adolescência com duas canções: Gracias a la vida e Volver a los 17. Na primeira, um celebração da vida, na segunda, uma afirmação da possibilidade do amor. Na canção que ela canta nesse vídeo, Mercedes se despede das coisas simples que mais nos marcam. A canção é de Armando Tejada Gómez e César Isella - Canción de las simples cosas:
Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas, lo mismo que un árbol que en tiempo de otoño se queda sin hojas. Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas, esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón. Uno vuelve siempre a los viejos sitios donde amó la vida, y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas. Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso, que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo. Demórate aquí, en la luz mayor de este mediodía, donde encontrarás con el pan al sol la mesa tendida.

sábado, 3 de outubro de 2009

um segundo

num tão intenso azul
e todas as suas cores

numa beira de maré
vazante e outonal

um peixe prateia o ar
por um segundo.

círculos concêntricos
se quebram nas margens.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

manhã

Na morna manhã azul o manjericão espraia seus verdes sobre o limite azulejado do canteiro. Respiro verdes e azuis: vivo

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bem no fundo



No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

(de Paulo Leminski, um cachorro louco)

domingo, 27 de setembro de 2009

Contradição




Era tão só que transcendia a sua própria imanência.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Perfeitamente infeliz



"O homem perfeitamente infeliz tem saúde de ferro; check-up e estação de águas todos os anos; seus males físicos são apenas dois: dor de cabeça (não toma comprimido porque ataca o coração) e azia (não toma bicabornato porque vicia o organismo). O pai e o avô do homem infeliz morreram quase aos 90 anos _e ele o diz frequentemente. Banho frio por princípio, mesmo no inverno, e meia hora de ginástica diária. O homem perfeitamente infeliz (...) não deve nada a ninguém; toma notas minuciosas de todas as suas despesas; nunca pagou nada para os outros; não avaliza nota promissória nem para o próprio filho; tem manifesto orgulho disso tudo.(...)

A força de vontade do homem perfeitamente infeliz é tremenda: deixou de fumar há 11 anos, três meses, cinco dias. Se não deixou, poderá deixar a qualquer momento. (...) em família, porta-se com severidade, falta de graça e convencionalismo; cita provérbios edificantes e ditos históricos; sua glória é poder afirmar, diante de alguém em desgraça: 'Bem que eu te avisei!'."


De "A arte de ser infeliz", crônica de Paulo Mendes Campos

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Tom Zé e o funk carioca

Ouvindo Tom Zé explicar o funk carioca, até dá vontade de tentar gostar do lance... Na verdade, meu grande problema com o funk (além das letras abomináveis) é o timbre de voz dos Funkeiros. Tenho o mesmo problema com os breganejos: aquela coisa que eles fazem com a garganta ao cantar toca alguma coisa em mim que me faz odiar esse tipo de música. Com o funk é o tom taquara rachada que me espanta. Se o funk fosse só o tamborzão, eu adoraria.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

América desnaturada


América do Sul
América do Sol
América do Sal
(início do poema Hip, hip, hoover!, de Oswald de Andrade)
Ó América que estás ao sul
Banhada pelo calor do sol,
América do pré-sal,
Da pré-história colonial,
Abismal e animal...
Ó América das negociatas escusas,
Dos políticos rastaqüeras,
América mãe desnaturada
Cujos filhos morrem à míngua
De fome, de ignorância, de solidão
Nas fétidas prisões dos teus porões.
Ó América minha terra ao sul
De onde não arredo meus pés cansados.
América que avisto tão linda
No Google Earth:
Montanhosa, verde e poderosa.
Vista assim de longe
Na tela do computador
Tu és a mais linda terra que há
Vista aqui de perto,
Na tela da Tv,
Tu não me mereces, América!

vai dar merda....!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Chove Chuva

Eu adoro o Jorge Ben Jor cantando Chove Chuva!  A Miriam Makeba também não fez feio na sua versão: voz e performance deliciosas. Mas, quem arrasou mesmo cantando Chove Chuva foi o Topo Gigio:

sábado, 5 de setembro de 2009

Programação ruim?

Notícia no blog do Gabeira. Solidão é isso!

Um austríaco de Salzburgo, que provavelmente morreu há seis meses, foi achado nesta sexta-feira, 4, no sofá de sua casa, diante de um televisor ligado. Segundo a agência de notícias APA, nesse período, nenhum vizinho sentiu a falta do homem, apesar da imensa pilha de correspondência que se acumulava em frente à porta do apartamento dele.
O corpo do austríaco só foi descoberto porque a administração do condomínio ligou para a polícia após estranhar o longo sumiço do morador. "Abrimos a porta do apartamento e encontramos o cadáver no sofá da sala, com a TV ainda funcionando. Parece que o homem morreu em março", disse Rudolf Feichtiger, da Polícia local. Junto ao sofá, foi achada a programação da TV para o dia 12 de março, o que levou as autoridades a deduzirem que o homem, já aposentado, morreu nesse dia.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

As meninas


As lindas meninas integrantes do grupo de Bate-flecha de Alegre.

twittersofias 2


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Passeando na Rota do Lagarto

video
A Rota do Lagarto é um caminho que segue às margens da Pedra Azul, em Domingos Martins. A gravação foi feita em 29 de agosto de 2009, quando voltei de Alegre via estrada de Vargem Alta na companhia luxuosa de Marlene, Clair e Sidney. Editei o vídeo agora, ao encontrar essa música de Téo e Estrela Ruiz que é a cara do nosso passeio.

domingo, 23 de agosto de 2009

Acontece...



Reproduzido do Balaio Porreta.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

twittersofias




O bloquinho aéreo e a cabeça de vento!

Depois de muitos anos, voltei a escrever cartas. Digo, cartas: aquilo que a gente escreve à mão, num papel fino, coloca no envelope, sela e posta no correio. Desacostumada que estou de escrever à mão, descobri que minha letra está cada vez pior. E, também, que não fabricam mais o bloco Aéreo. Acho que só quem é da minha geração sabe o que é o bloco aéreo. A moça da papelaria me olhou com uma cara estranha quando perguntei se ela tinha um. Lembro de um que tinha uma águia na capa (ou condor, ou qualquer outra ave de rapina). Nunca entendi porque não colocaram um pombo correio como símbolo de um bloco de papel próprio para cartas. O fato é que a moça não sabia o que era. Tive que explicar várias vezes. Ela perguntou espantada: bloco para escrever cartas??? Pensei que tivesse que explicar também o que eram cartas. Mas não precisou. Isso ela sabia (embora, desconfio, nunca tenha escrito uma na vida). Já ia embora, desesperançada de encontrar o querido bloquinho, quando resolvi voltar, pedi para entrar no balcão e procurar eu mesmo o tal bloco. E não é que encontrei um (um único), já meio encardido, no meio dos envelopes? Mostrei a ela, triunfante, o bloquinho de folhas finas de seda e expliquei porque eles eram ideais para cartas. Ela não pareceu muito entusiasmada com a descoberta. Colocou o bloco na sacola e me disse quanto era (desconfio que inventou o preço, já que não havia nenhum no bloco).
Além das cartas, que voltei a escrever com freqüência, também estou escrevendo mais à mão. Minha agenda, na qual eu raramente anotava meus compromissos, virou minha memória de papel. Anoto tudo que tenho que fazer para não esquecer. Minha memória está cada dia pior. Tenho falhas de memória imperdoáveis. Para não perder totalmente a credibilidade, estou tomando o cuidado de anotar tudo. Também comprei um caderninho de anotações para as idéias dispersas, as sensações difusas e os lampejos de genialidade que se vão rapidamente. Mas isso ai acaba indo parar na agenda, pois a minha memória ainda não registrou a presença do tal caderninho em minha bolsa. É estranho não se lembrar das coisas. Às vezes, nem das pessoas. Já paguei alguns micos por isso. Eu, que sempre tive boa memória, principalmente visual, fico na maior saia justa quando alguém vem falar comigo na maior intimidade e eu não faço idéia de quem seja. Uma amiga me aconselhou a comer mais feijão, outra acha que tenho que tomar algum remédio. Fico pensando se existe mesmo uma pílula mágica que ative a memória e nos torne mais inteligentes e mais felizes. O cara que inventar isso vai ficar milionário!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

try to solve your puzzle

Uma frase solta na camiseta da moça na porta do ônibus hoje de manhã. Camiseta branca, frase rosa. Try to solve your puzzle. Será isso possível? A possibilidade contida na frase é real? Ao fim das contas, será a vida um jogo de montar e viver será aprender a juntar as peças espalhadas de forma correta até chegar ao que somos?

Essa frase me remete à idéia de destino, de "escrito nas estrelas". Acho que já acreditei nisso. E ainda acredito, vez em quando. Mas, cá pra nós, acho que o acaso é o grande destino de todos nós - a teoria do caos de cada um, no caos de cada dia. No grande puzzle da vida nossas peças estão e são embaralhadas com tantas outras, confundindo-se, formando figuras que logo se desfazem para se transformar em outra, e outra, e outra, infinitamente.

Como resolver nosso quebra-cabeças particular? Try, diz a frase. Ok, I try! A grande questão é o que formar com as peças desse jogo sem manual de instruções que é a vida. Nossa! Isso é tão Paulo Coelho!!!

terça-feira, 7 de julho de 2009

politicamente correto


Bonito e simpático grafite na parede do Centro de Referência da Pessoa com Deficiência, em Goiabeiras.

sábado, 27 de junho de 2009

você sempre esteve lá



Nos jornais de hoje (capas do dia 26), vários depoimentos dizendo o que senti desde quando soube da notícia da morte de Michael Jackson: ele era como um membro da família. E era mesmo. Um ídolo pop da minha geração, acompanhei o crescimento dele enquanto eu também crescia. Todas as suas estranhas transformações, seus escândalos ridículos de astro pop, seu embranquecimento inexplicável não o tornaram um estranho. Acima de tudo isso tem Billy Jean, e uma enorme vontade de caminhar na lua como ele fazia.

sábado, 20 de junho de 2009

saudade é o revés de um parto

sexta-feira, 19 de junho de 2009

For all - David Byrne interpreta Asa Branca

O clip é lindinho. Todos os elementos da cultura nordestina estão ali - o cangaço, a seca as xilogravuras do cordel, os instrumentos etc - e, no entanto, não tem nada do nosso nordeste. Um clip interessante para a gente pensar sobre a visão estrangeira sobre a nossa cultura. video

segunda-feira, 15 de junho de 2009

dezenove

hoje era pra gente ser feliz
hoje era pra gente rir junto,
fazer votos para o futuro.
hoje era pra eu te abençoar,
dar um beijo na sua testa
e te olhar com orgulho.
hoje era pra eu dizer: juízo!
e era pra você sorrir, me abraçar,
e responder: tenho de sobra!
hoje não era pra gente ser triste.
hoje era pra gente estar juntos.
hoje era pra ter um amanhã.
quando virá o futuro?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Queimem os livros!

Excelente crítica/manifesto de Claudio Brites sobre o ensino e a literatura, detonado a partir do episódio dos livros didáticos equivocados distribuídos nas escolas públicas de Sampa:

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Depois do que aconteceu com as Hqs e com o poema do Joca Terron eu pensei e considero que a literatura, concordo, deveria ser proibida, assim como a maconha.
teríamos, então literatura sendo traficada nos becos, que, convenhamos, é o lugar dela.
as pessoas se cutucariam quando vissem um roda de leitores na praça.
atravessariam a rua e abaixariam a cabeça.
escritores no bar seria motivo de blitz de charutos e ternos risca de giz.
concordo que a literatura deveria ser expurgada de todas as escolas.
onde é dissecada e emburrecida. perdida.
ignorada.
então os moleques cabulariam para ler.
cheirar as páginas, cheiro de livro.
para gozar no Cortiço e seus beijos suados.
xingar capitu de putinha dissimulada.
afinal o sexo no livro é muito mais sexo do que na novela.
no livro você volta e volta e re-lê e lê de novo.
vetem. proibam.
não foi assim que os quadrinhos ganharam força?
quando declarados proibidos e marginais?
vetem a literatura e quem sabe transtornamos tordorov e ela saia do perigo eminente de desaparecer.
Postado por Claudio Brites às 16:34


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Carta para Fernando



Vitória, 21 de setembro de 2008

Fernando,

Escrevo deitada em minha cama, sob o cobertor quente. A luz do abajur projeta uma sombra longa sobre o caderno e não enxergo muito bem o que escrevo. Eu poderia ir para o computador digitar essa carta, que você provavelmente nunca vai ler. Mas não faço isso: o aconchego da minha cama, do cobertor quente e da luz amarelada do abajur me alivia da dor que sinto desde que sai do cinema. Não falo de uma dor difusa na alma, mas de uma dor física objetiva, cabeça, tronco e membros, que a tensão provocada pelo seu filme me causou. O fato é que sai do cinema com uma dor na nuca que ainda persiste e incomoda. A dor causada pelo estado de constante tensão que o seu filme provocou em mim. Não aquela tensão do suspense, nem a da torcida pelo final feliz. É uma bem mais profunda, que se reflete fisicamente nos músculos e no estômago. É uma dor causada pelo desconforto, ou melhor, pelo desespero de ser humano e se reconhecer no espelho cristalino que você nos mostra no seu maravilhoso filme Ensaio sobre a Cegueira.

Antes de me refugiar aqui nessa cama quente vaguei várias vezes pela casa. Abri e fechei a geladeira e o armário da cozinha, não sei se procurando por algo que não estava lá ou se me certificando de que aqueles lugares ainda continham o meu alimento: um pedaço de queijo branco, uns filés de frango, cenouras, leite e pão.

Não li o livro do Saramago. Mas o pouco que já li dele foi o suficiente para reconhecer no seu filme o toque da mão do autor e os alicerces de sua construção literária. Suponho que a cidade despersonalizada, as pessoas sem passado e sem nomes e o conflito secular entre o bem e o mal são elementos do livro, criados pelo Saramago. Que bela dupla vocês me saíram! Quem somos nós nas situações limites que não apenas humanos? Não somos pátria, nem família, nem mesmo cidadãos. Somos apenas humanos. E nessa humanidade nos revelamos, para o bem ou para o mal.

E isso me espanta: como é que você consegue capturar assim a alma do escritor e a traduzir em uma escrita diversa, feita de luz, cor, cenários e rostos? E, mais intrigante ainda, como é que você consegue usar elementos tão simples, óbvios até, para compor uma escrita cinematográfica tão densa e precisa? Todas as suas escolhas no filme são basicamente óbvias: a luz branca e difusa, o esmaecimento das cores, a montagem linear, a cenografia do caos, o filme centrado na atuação dos seus atores. Tudo muito básico, quase primário em termo de linguagem. E, no entanto, você consegue juntar todos esses elementos de um jeito tão sensível, tão magistral, e fazer com eles uma obra prima, como um bom pintor misturando as cores na paleta e tirando delas, em pinceladas, um quadro único.

Agradeço a você e Saramago pelo Ensaio sobre a cegueira.

Com admiração,

Claudia

domingo, 17 de maio de 2009

uma saudade

Tenho saudades dessa mulher. Revendo a força da interpretação dela em "atrás da porta" fico pensando que Elis foi a maior cantora que o Brasil já teve. Poucos cantores conseguem nos emocionar tanto. Dizem que nessa apresentação, num especial para a TV, ela tinha acabado de se separar e a emoção foi totalmente real. Mas, acho que ela era totalmente verdadeira em todas as canções - ela sentia cada palavra das letras que cantava e isso penetrava na gente através da sua voz. Quais seriam seus compositores favoritos hoje se ainda fosse viva?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Oroborus


alimentar-se de si
comer o próprio rabo
renascer das próprias entranhas
foder-se incessantemente
e gestar a própria vida
no útero de si.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

projéteis

video
Tv de Bolso na abertura da exposição Projéteis, de Marcelo Gandini, na Galeria Homero Massena.

A música do vídeo é emoções à vista, texto e locução de Eduardo Ferreira e trilha original de Capileh Charbel. Música nos créditos finais: Chaiyya Chaiyya, Dil Se e Sukhwinder Singh.

sábado, 2 de maio de 2009

a esperança

Tenho esperança
Mas também tenho que ter confiança
Esperança de um mundo melhor
Mas não sei? Ele fica cada vez pior!

É só acreditar
Que um dia ele vai mudar e melhorar
Tudo limpo vai ficar.
Rios, florestas e até o mar!!!
E as pessoas poderão se banhar
Sem nada para reclamar.

É só acreditar que o mundo vai mudar
Ninguém fome vai passar
Pois as lavouras vão aumentar!
Todos amigos vão ficar!
Mendigos não vão existir
Os empregos vão evoluir
Mais famílias vão surgir.

Muitas pessoas dizem que eu não faço nada direito
Mas, pelo menos, por elas tenho respeito
E pela minha família, muito amor no peito.
Para viver vou ter que lutar
E muito trabalhar
Mas para meus filhos isso vou ensinar
Para no futuro o mundo melhorar!!!

(poema feito pelo meu filho, João Victor, em 2001, aos 10 anos de idade. Eu também tenho esperança, filho. Te amo!)


sábado, 25 de abril de 2009

pinhole day


Amanhã é o dia mundial da fotografia pinhole. Essa foto ai fiz hoje, pegando carona na latinha do professor Jo Name, no Centro de Artes, durante a oficina oferecida por ele e pelo professor Fábio Goveia, em homenagem à data. No primeiro plano, minha Caloi Terra e ao fundo o pezinho de cacau do Cemuni IV.

escolhas possíveis

(foto: Felipe Obrer)

um cão na noite
uma noite de cão

quinta-feira, 23 de abril de 2009

dos subterrâneos do sentir ao céu de cinzas pares

(chuva chegando em Guarapari)

É de gotas minúsculas de chuva que se faz o Oceano.
O sal, bem sei, vem das lágrimas dos rios e mares internos.

De palavra em palavra
vou tecendo meu oceano,
vou cantando meu sal
e renascendo das minhas cinzas.

(Poema de André Teixeira)

Projéteis


Quero conferir a exposição do Marcelo Gandini na Homero Massena. Gandini tem um trabalho muito consistente e essa nova exposição promete. Parece que ele está unindo suas duas faces numa só. A abertura será dia 28, às 20h. Dia 13 de maio, às 18h Gandini estará na galeria para um bate-papo com quem aparecer. A exposição pode ser vista das 10h às 18h, na galeria Homero Massena, Cidade Alta.

Na exposição Projéteis, Gandini reflete e pretende nos fazer refletir sobre a banalização da violência na sociedade. 12 alvos de treinamento de tiro perfurados por disparos de arma de fogo, pequenas caixas de acrílico com projéteis deformados utilizados nos disparos e os nomes das vítimas fatais atingidas por eles são os convites para o espectador refletir sobre a violência.

O artista plástico Marcelo Gandini também é o sargento Gandini, da Polícia Militar. A violência é matéria prima do seu trabalho na polícia. Longe de se acomodar numa vida de sargento, Gandini mostra sua inquietação utilizando os mais variados e inusitados meios. Restos de papel fotográfico dispensados pelos laboratórios de revelação viram expressão pura nas mãos do cara. Um pequeno barco, a Grandepequenacatraia, na baia de Vitória recebe uma busina de navio, na Bienal do Mar. E agora, unindo seus dois trabalhos, os projéteis utilizados para tirar vidas nos levam a pensar sobre a preciosidade que é viver. Viver em paz, sem sermos alvos fáceis de loucas balas perdidas.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Arte para o dia a dia

(Leo fotografando a mãe diante da Cow Wallpaper)

Hoje fui ver a exposição do Andy Warhol, no Maes. Se considerarmos o universo da produção do cara, a exposição tem poucas obras. Mas, é o suficiente para mostrar a diversidade das atividades do inquieto artista. Papa da Pop Art, Warhol queria mesmo era ficar rico com sua arte. Inventou, para isso, um jeito de reproduzir com menor esforço suas criações e vende-las para quem se dispusesse a pagar o melhor preço. Ser um mercenário da arte (coisa que ele próprio admitia), não o torna menos artista. Suas criações são pesquisas profundas sobre a visualidade, a impermanência da arte e o simulacro da obra. Além disso, Warhol deu novo significado ao cotidiano.
(Screen test, com Nuvens de Prata)

A Exposição do Maes - "Andy Warhol - Arte e Práticas para o Dia a Dia" - deixa bem claro a diversidade dessas pesquisas de Andy Warhol: além das serigrafias já conhecidas de todos (e reproduzidas ad infinitum em todos os suportes possíveis), a exposição traz para Vitória trabalhos poucos conhecidos e difíceis de encontrar, tais como os filmes em 16mm e os retratos e auto retratos em polaroides (obras lindas). Num dos filmes, Empire State, ele gravou por 8 horas seguidas, registrando as nuances das mudanças da luz do dia até a noite, num trabalho que lembra o impressionista Monet e as suas telas da Catedral de Rouen. Também podemos ver os famosos "screen test" com amigos e o filme Kiss (1963). A exposição reproduz, também, um pouco do clima da Factory, seu famoso estúdio, escritório e moradia, na réplica da exposição "Nuvens de Prata", de 1966.
(Kiss, com Nuvens de Prata)

Para quem quiser se divertir interagindo, a exposição conta ainda com uma mini oficina de serigrafia (que a gente pode fazer na hora) e uma máquina de xerox que tem a função de recriar as cápsulas do tempo de Warhol (caixas onde ele guardava várias coisas cotidianas e lacrava). O problema da tal cápsula do tempo xerocada é que os visitantes são obrigados a deixar seus pertences guardados antes de entrar no Museu e ai resta muito pouco a se preservar na tal cápsula xerox. Aliás, ter que deixar as coisas guardadas foi um problema para mim na exposição: deixei meus óculos da bolsa no armário e não pude ler quase metade das plaquinhas de identificação da exposição.

Além do filme Kiss, onde intermináveis beijos projetados na parede do museu nos despertavam sensações, adorei ver a série de polaroides. Tanto os auto retratos quanto as fotos de famosos (coisa mais linda o Mick Jagger novinho!!!).

A curadoria de "Andy Warhol - Arte e Práticas para o Dia a Dia" é de Jéssica Gogan, do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, Pensilvânia, de onde vieram as obras. O curador brasileiro da exposição é Luiz Guilherme Vergara. A mostra fica até 2 de julho no Maes.

(minha serigrafia d'apres Andy Warhol feita na exposição)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

hoje o dia esteve azul...




















Farol de Santa Luzia

ouvindo o som do silencio


quarta-feira, 15 de abril de 2009

véus das palavras



Descortinar os véus
Das palavras não ditas
Das palavras mal ditas
Das palavras aflitas
Das palavras palafitas
Véus das palavras

terça-feira, 14 de abril de 2009

abrigo

domingo, 12 de abril de 2009

Memória Perdida


Vídeo de Felipe Pereira Barros que gosto muito. A foto abaixo tem tudo a ver com memória perdida.

balanço

sábado, 11 de abril de 2009

Instante da Palavra



...como se fora seda
como se fora véu
um livro entre as maõs
palavras cheias de vida.

Todos os sentidos são
um véu cintilante
entremeado de alegrias e tristezas.

O mundo gira.

Fora da prisão
quantas vidas ainda pra viver
quantos rios ainda pra correr
tanto mar, quantas lágrimas
e apesar de tudo
muito por saber...
sete vidas
sete selos
sete chaves
sete portais de saberes
sete estrelas
sete chapéus
sete luas
sete sóis
tanta chuva...

em meio aos sentidos
o desafio
para o dia acontecer


Poema de Graça Graúna

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O blog do vovô


Descobri recentemente que meu avô paterno, Eurípedes, de quem não me lembro (ele morreu quando eu ainda não tinha completado 2 anos de idade) mantinha um caderno de anotações dos acontecimentos importantes da família. Essa é a página onde está registrado o nascimento do meu pai, em 1928.

Meu avô escreveu no cabeçalho: "esse caderno nunca poderá ser destruído. É uma relíquia. É um pouco do nosso diário." Minha tia Nazinha (Edna) guardou o caderno. Ainda bem!
O mais estranho é o fato de meu avô não anotar no seu diário a morte de minha avó, Tercília. Ele não queria lembrar disso?

domingo, 5 de abril de 2009

"As pessoas têm que se indignar"


Em Vitória para participar do III Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Denis Mizne, diretor executivo do Instituto Sou da Paz, deu uma entrevista muito boa ao jornal A Gazeta. Confira algumas opiniões de Denis:

"Entre 1982 e 2000, foram estabelecidos 82 novos crimes, foi criada a Lei dos Crimes Hediondos, multiplicou-se a população prisional no país, aumentou o número de policias, e qual foi o resultado? De outro lado, o discurso descompromissado da violência como conseqüência era irresponsável, porque as pessoas morrem aos milhares. Temos no Brasil mais de 100 pessoas assassinadas por dia. E quantas são roubadas, vítimas de furtos? É preciso romper com a dicotomia. A violência tem causas sociais, sim, que precisam ser combatidas, mas demanda uma agenda específica que envolve repressão de um lado, e prevenção de outro."

"(...) Assim, com uma mão nego a violência e com outra ofereço organização, trabalho comunitário, diálogo, envolvimento com esporte, trabalho, cultura. Uma política preventiva bem feita, com um bom diagnóstico, público certo, redução de acesso às drogas, de armas em circulação. Quando eu adoto esse pacote, com repressão e prevenção de qualidade, a violência cai."

"A violência é seletiva - morrem mais jovens negros, pobres, moradores de periferia das cidades -, mas o medo é absolutamente democrático, no Brasil e no mundo."

"É fundamental entender isso. Pobreza não causa nem é igual a violência. O que tem algum grau de relação com a violência? Desigualdade. A tensão entre pessoas com muito e pessoas com muito pouco; a ausência do Estado; uma sociedade de consumo que valoriza o ter, e que também valoriza a cultura da violência. Um cara andando de Ferrari ao lado de outro que não tem dinheiro para pagar a passagem do ônibus. A chance de isso dar um coquetel explosivo é enorme. Dizemos que violento é aquele cara que assalta, mas não falamos o mesmo daquele que sonega Imposto de Renda, suborna pessoas, desvia dinheiro público. Porque se a gente apontasse, de maneira séria, onde está a maior concentração de criminosos por metro quadrado, certamente falaria do Congresso Nacional. O número de congressistas acusados e processados é enorme. E ali não há pobre."

"No Brasil, falar de valor é visto como coisa de conservador. Mas nas comunidades onde a gente trabalha, vemos que quem segura muitas famílias são as mães, que não deixam os filhos desviarem. Porque a tentação é muito grande, mas a imensa maioria das famílias do Brasil está dentro da lei. Se 5% da população pobre do Brasil estivessem no crime, a elite já estaria dizimada, porque a desigualdade é brutal."

"O problema é grande, mas é preciso que cause indignação, e não impotência. Quem fica em casa só reclamando está impotente. As pessoas têm que se indignar e cobrar. Há saída, sou otimista baseado na realidade. E tem muita coisa que cada um de nós pode fazer. A gente pode ocupar os espaços da cidade, contribuir para uma vida mais coletiva. Podemos educar nossos filhos com uma cultura mais humana, de solidariedade, e não na lógica da violência, que valoriza que eles briguem na escola, que impressionem pelo tênis ou pelo relógio que usam. Na hora de votar devemos abrir mão dos nossos interesses mesquinhos, escolher bem. Cobrar resultado do prefeito, do governador, do conselho da comunidade. Exigir uma abordagem voltada para o resultado, e não para o discurso."

"Não há dúvida de que o mercado criminoso consegue agregar tanto valor à droga por ela ser proibida e ilegal, que cria uma lógica de grupos que conseguem ter acesso a armas poderosíssimas, disputar territórios de cidades e colocar em risco a própria soberania do Estado brasileiro. Ah, então legaliza? Não, mas deve-se separar o usuário leve do traficante de drogas. O tráfico de drogas, associado à lavagem de dinheiro, deve ser duramente combatido. Enquanto as drogas forem proibidas no Brasil, as pessoas que estão comprando a sua maconha, a sua cocaína, estão contribuindo para esse ciclo de mortes a que nós estamos assistindo. Não há como dissociar uma coisa da outra. O dinheiro que sai do bolso delas está gerando milhares de homicídios. Mas o problema não é só do consumidor, é também do Estado, que deve fazer o que puder para proibir a entrada da droga e das armas pelas nossas fronteiras."

terça-feira, 24 de março de 2009

160 anos de Queimado















Oferendas na celebração de 160 anos da Insurreição do Queimado na Serra, dia 22 de março de 2009

sábado, 14 de março de 2009

Teses e poesis

Ontem no almoço um amigo me disse algo que traduz exatamente o que tenho sentido desde que voltei a estudar: "estou com saudade da literatura". Saudade da leitura fluida de um romance, do simples prazer de se deixar enredar por uma história que sabemos inventada.

Embora todo meu interesse pela teoria, acho a escrita teórica um tanto dura e repetitiva. Leio um texto teórico como quem tenta escalar o Everest. A boa literatura, ao contrário, é um abandono ao balanço da rede em sombra amena.

O texto teórico é um desafio constante (o que é ótimo). E, às vezes, é também monótono e repetitivo. Raramente é poético. Mas, podemos encontrar nele, algumas vezes, momentos de prazer e poesia. Como nesse trecho pinçado de V. Kójinov, um crítico muito ligado a Bakhtin em seus últimos anos de vida, intitulado A concepção bakhtiniana sobre poesia lírica, onde ele transcreve algumas anotações inéditas de Bakhtin:

...A autoridade do autor é autoridade do coro. A obsessão lírica é essencialmente uma obsessão coral. (...) Eu me ouço no outro, com outros e para outros. (...) O coro possível – eis uma posição firme e de autoridade. (...) Eu me encontro na voz (...) alheia. (...) Esta voz alheia, ouvida de fora, que organiza minha vida interior na lírica, é o coro possível, a voz concordante com o coro, e que sente fora de si o apoio coral possível (...) numa atmosfera do silêncio e do vazio absolutos, ela não poderia soar assim; o rompimento individual e completamente solitário do silêncio absoluto tem caráter lúgubre e pecaminoso, degenera em grito, que assusta e incomoda a si mesmo; o rompimento solitário e totalmente arbitrário do silêncio (...) é cinicamente injustificado. Uma voz só pode cantar (...) num ambiente de possível apoio coral.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A Faca no coração



Estas imagens fizeram parte da exposição A Faca no coração, realizada em 1988 durante a Semana Antimanicomial, no Rio de Janeiro. A Semana discutiu a questão manicomial brasileira. Fiz as fotos no Hospital Psiquiátrico de Jurujuba, em Niteroi. Na época cogitava-se a desativação do hospital. Pelo que pesquisei hoje, ele continua na ativa. Porém, uma série de mudanças foram implementadas. Se alguém souber mais notícias sobre o funcionamento atual de Jurujuba, comente aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Um meu espelho tão de mim diferente



Toco tuas mãos gordinhas
Pele suave que me toca
Seu olhar e o meu se procuram
Olhamo-nos em silêncios
Meu peito te alimenta e fortalece
Teu riso inocente me alimenta e fortalece
Teu sono logo vem
E te olho demoradamente nesse abandono
Um meu espelho tão de mim diferente
Um meu pedaço de gente
Em sono tranqüilo
Em abandono frágil e confiante
Em mim
Filho

Toco o vidro entre nós
Tocas o vidro entre nós
Entre minha mão e a tua um frio vidro
E mal te posso ver por entre o marejar dos nossos olhos
Lembro tuas mãos gordinhas, de pele suave
E é a elas que toco através do vidro
Entre tu e eu um grande abismo
Que nossos olhos transpõem
Onde teu sono tranqüilo?
Onde meu sono tranqüilo?
Onde o cálido som do seu ressonar no sono?
Nossos olhos se perguntam
Em abandono frágil e temeroso

Cinema Poetado









Cinemárvore literária


Um
Poe
Põe
Poesia
Poe Tree, Poetry

Na filmografia
Glauber
Stone

e um Eryk Rocha

Ruy dosa Guerra

entre Cinema e Literatura

De Rodrigo de Araújo (Drigo)