Terça-feira, 7 de Julho de 2009

politicamente correto


Bonito e simpático grafite na parede do Centro de Referência da Pessoa com Deficiência, em Goiabeiras.

Sábado, 27 de Junho de 2009

você sempre esteve lá



Nos jornais de hoje (capas do dia 26), vários depoimentos dizendo o que senti desde quando soube da notícia da morte de Michael Jackson: ele era como um membro da família. E era mesmo. Um ídolo pop da minha geração, acompanhei o crescimento dele enquanto eu também crescia. Todas as suas estranhas transformações, seus escândalos ridículos de astro pop, seu embranquecimento inexplicável não o tornaram um estranho. Acima de tudo isso tem Billy Jean, e uma enorme vontade de caminhar na lua como ele fazia.

Sábado, 20 de Junho de 2009

saudade é o revés de um parto

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

For all - David Byrne interpreta Asa Branca

O clip é lindinho. Todos os elementos da cultura nordestina estão ali - o cangaço, a seca as xilogravuras do cordel, os instrumentos etc - e, no entanto, não tem nada do nosso nordeste. Um clip interessante para a gente pensar sobre a visão estrangeira sobre a nossa cultura. video

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

dezenove

hoje era pra gente ser feliz
hoje era pra gente rir junto,
fazer votos para o futuro.
hoje era pra eu te abençoar,
dar um beijo na sua testa
e te olhar com orgulho.
hoje era pra eu dizer: juízo!
e era pra você sorrir, me abraçar,
e responder: tenho de sobra!
hoje não era pra gente ser triste.
hoje era pra gente estar juntos.
hoje era pra ter um amanhã.
quando virá o futuro?

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Queimem os livros!

Excelente crítica/manifesto de Claudio Brites sobre o ensino e a literatura, detonado a partir do episódio dos livros didáticos equivocados distribuídos nas escolas públicas de Sampa:

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Depois do que aconteceu com as Hqs e com o poema do Joca Terron eu pensei e considero que a literatura, concordo, deveria ser proibida, assim como a maconha.
teríamos, então literatura sendo traficada nos becos, que, convenhamos, é o lugar dela.
as pessoas se cutucariam quando vissem um roda de leitores na praça.
atravessariam a rua e abaixariam a cabeça.
escritores no bar seria motivo de blitz de charutos e ternos risca de giz.
concordo que a literatura deveria ser expurgada de todas as escolas.
onde é dissecada e emburrecida. perdida.
ignorada.
então os moleques cabulariam para ler.
cheirar as páginas, cheiro de livro.
para gozar no Cortiço e seus beijos suados.
xingar capitu de putinha dissimulada.
afinal o sexo no livro é muito mais sexo do que na novela.
no livro você volta e volta e re-lê e lê de novo.
vetem. proibam.
não foi assim que os quadrinhos ganharam força?
quando declarados proibidos e marginais?
vetem a literatura e quem sabe transtornamos tordorov e ela saia do perigo eminente de desaparecer.
Postado por Claudio Brites às 16:34


Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Carta para Fernando



Vitória, 21 de setembro de 2008

Fernando,

Escrevo deitada em minha cama, sob o cobertor quente. A luz do abajur projeta uma sombra longa sobre o caderno e não enxergo muito bem o que escrevo. Eu poderia ir para o computador digitar essa carta, que você provavelmente nunca vai ler. Mas não faço isso: o aconchego da minha cama, do cobertor quente e da luz amarelada do abajur me alivia da dor que sinto desde que sai do cinema. Não falo de uma dor difusa na alma, mas de uma dor física objetiva, cabeça, tronco e membros, que a tensão provocada pelo seu filme me causou. O fato é que sai do cinema com uma dor na nuca que ainda persiste e incomoda. A dor causada pelo estado de constante tensão que o seu filme provocou em mim. Não aquela tensão do suspense, nem a da torcida pelo final feliz. É uma bem mais profunda, que se reflete fisicamente nos músculos e no estômago. É uma dor causada pelo desconforto, ou melhor, pelo desespero de ser humano e se reconhecer no espelho cristalino que você nos mostra no seu maravilhoso filme Ensaio sobre a Cegueira.

Antes de me refugiar aqui nessa cama quente vaguei várias vezes pela casa. Abri e fechei a geladeira e o armário da cozinha, não sei se procurando por algo que não estava lá ou se me certificando de que aqueles lugares ainda continham o meu alimento: um pedaço de queijo branco, uns filés de frango, cenouras, leite e pão.

Não li o livro do Saramago. Mas o pouco que já li dele foi o suficiente para reconhecer no seu filme o toque da mão do autor e os alicerces de sua construção literária. Suponho que a cidade despersonalizada, as pessoas sem passado e sem nomes e o conflito secular entre o bem e o mal são elementos do livro, criados pelo Saramago. Que bela dupla vocês me saíram! Quem somos nós nas situações limites que não apenas humanos? Não somos pátria, nem família, nem mesmo cidadãos. Somos apenas humanos. E nessa humanidade nos revelamos, para o bem ou para o mal.

E isso me espanta: como é que você consegue capturar assim a alma do escritor e a traduzir em uma escrita diversa, feita de luz, cor, cenários e rostos? E, mais intrigante ainda, como é que você consegue usar elementos tão simples, óbvios até, para compor uma escrita cinematográfica tão densa e precisa? Todas as suas escolhas no filme são basicamente óbvias: a luz branca e difusa, o esmaecimento das cores, a montagem linear, a cenografia do caos, o filme centrado na atuação dos seus atores. Tudo muito básico, quase primário em termo de linguagem. E, no entanto, você consegue juntar todos esses elementos de um jeito tão sensível, tão magistral, e fazer com eles uma obra prima, como um bom pintor misturando as cores na paleta e tirando delas, em pinceladas, um quadro único.

Agradeço a você e Saramago pelo Ensaio sobre a cegueira.

Com admiração,

Claudia

Domingo, 17 de Maio de 2009

uma saudade

Tenho saudades dessa mulher. Revendo a força da interpretação dela em "atrás da porta" fico pensando que Elis foi a maior cantora que o Brasil já teve. Poucos cantores conseguem nos emocionar tanto. Dizem que nessa apresentação, num especial para a TV, ela tinha acabado de se separar e a emoção foi totalmente real. Mas, acho que ela era totalmente verdadeira em todas as canções - ela sentia cada palavra das letras que cantava e isso penetrava na gente através da sua voz. Quais seriam seus compositores favoritos hoje se ainda fosse viva?

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Oroborus


alimentar-se de si
comer o próprio rabo
renascer das próprias entranhas
foder-se incessantemente
e gestar a própria vida
no útero de si.

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

projéteis

video
Tv de Bolso na abertura da exposição Projéteis, de Marcelo Gandini, na Galeria Homero Massena.

A música do vídeo é emoções à vista, texto e locução de Eduardo Ferreira e trilha original de Capileh Charbel. Música nos créditos finais: Chaiyya Chaiyya, Dil Se e Sukhwinder Singh.

Sábado, 2 de Maio de 2009

a esperança

Tenho esperança
Mas também tenho que ter confiança
Esperança de um mundo melhor
Mas não sei? Ele fica cada vez pior!

É só acreditar
Que um dia ele vai mudar e melhorar
Tudo limpo vai ficar.
Rios, florestas e até o mar!!!
E as pessoas poderão se banhar
Sem nada para reclamar.

É só acreditar que o mundo vai mudar
Ninguém fome vai passar
Pois as lavouras vão aumentar!
Todos amigos vão ficar!
Mendigos não vão existir
Os empregos vão evoluir
Mais famílias vão surgir.

Muitas pessoas dizem que eu não faço nada direito
Mas, pelo menos, por elas tenho respeito
E pela minha família, muito amor no peito.
Para viver vou ter que lutar
E muito trabalhar
Mas para meus filhos isso vou ensinar
Para no futuro o mundo melhorar!!!

(poema feito pelo meu filho, João Victor, em 2001, aos 10 anos de idade. Eu também tenho esperança, filho. Te amo!)


Sábado, 25 de Abril de 2009

pinhole day


Amanhã é o dia mundial da fotografia pinhole. Essa foto ai fiz hoje, pegando carona na latinha do professor Jo Name, no Centro de Artes, durante a oficina oferecida por ele e pelo professor Fábio Goveia, em homenagem à data. No primeiro plano, minha Caloi Terra e ao fundo o pezinho de cacau do Cemuni IV.

escolhas possíveis

(foto: Felipe Obrer)

um cão na noite
uma noite de cão

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

dos subterrâneos do sentir ao céu de cinzas pares

(chuva chegando em Guarapari)

É de gotas minúsculas de chuva que se faz o Oceano.
O sal, bem sei, vem das lágrimas dos rios e mares internos.

De palavra em palavra
vou tecendo meu oceano,
vou cantando meu sal
e renascendo das minhas cinzas.

(Poema de André Teixeira)

Projéteis


Quero conferir a exposição do Marcelo Gandini na Homero Massena. Gandini tem um trabalho muito consistente e essa nova exposição promete. Parece que ele está unindo suas duas faces numa só. A abertura será dia 28, às 20h. Dia 13 de maio, às 18h Gandini estará na galeria para um bate-papo com quem aparecer. A exposição pode ser vista das 10h às 18h, na galeria Homero Massena, Cidade Alta.

Na exposição Projéteis, Gandini reflete e pretende nos fazer refletir sobre a banalização da violência na sociedade. 12 alvos de treinamento de tiro perfurados por disparos de arma de fogo, pequenas caixas de acrílico com projéteis deformados utilizados nos disparos e os nomes das vítimas fatais atingidas por eles são os convites para o espectador refletir sobre a violência.

O artista plástico Marcelo Gandini também é o sargento Gandini, da Polícia Militar. A violência é matéria prima do seu trabalho na polícia. Longe de se acomodar numa vida de sargento, Gandini mostra sua inquietação utilizando os mais variados e inusitados meios. Restos de papel fotográfico dispensados pelos laboratórios de revelação viram expressão pura nas mãos do cara. Um pequeno barco, a Grandepequenacatraia, na baia de Vitória recebe uma busina de navio, na Bienal do Mar. E agora, unindo seus dois trabalhos, os projéteis utilizados para tirar vidas nos levam a pensar sobre a preciosidade que é viver. Viver em paz, sem sermos alvos fáceis de loucas balas perdidas.

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Arte para o dia a dia

(Leo fotografando a mãe diante da Cow Wallpaper)

Hoje fui ver a exposição do Andy Warhol, no Maes. Se considerarmos o universo da produção do cara, a exposição tem poucas obras. Mas, é o suficiente para mostrar a diversidade das atividades do inquieto artista. Papa da Pop Art, Warhol queria mesmo era ficar rico com sua arte. Inventou, para isso, um jeito de reproduzir com menor esforço suas criações e vende-las para quem se dispusesse a pagar o melhor preço. Ser um mercenário da arte (coisa que ele próprio admitia), não o torna menos artista. Suas criações são pesquisas profundas sobre a visualidade, a impermanência da arte e o simulacro da obra. Além disso, Warhol deu novo significado ao cotidiano.
(Screen test, com Nuvens de Prata)

A Exposição do Maes - "Andy Warhol - Arte e Práticas para o Dia a Dia" - deixa bem claro a diversidade dessas pesquisas de Andy Warhol: além das serigrafias já conhecidas de todos (e reproduzidas ad infinitum em todos os suportes possíveis), a exposição traz para Vitória trabalhos poucos conhecidos e difíceis de encontrar, tais como os filmes em 16mm e os retratos e auto retratos em polaroides (obras lindas). Num dos filmes, Empire State, ele gravou por 8 horas seguidas, registrando as nuances das mudanças da luz do dia até a noite, num trabalho que lembra o impressionista Monet e as suas telas da Catedral de Rouen. Também podemos ver os famosos "screen test" com amigos e o filme Kiss (1963). A exposição reproduz, também, um pouco do clima da Factory, seu famoso estúdio, escritório e moradia, na réplica da exposição "Nuvens de Prata", de 1966.
(Kiss, com Nuvens de Prata)

Para quem quiser se divertir interagindo, a exposição conta ainda com uma mini oficina de serigrafia (que a gente pode fazer na hora) e uma máquina de xerox que tem a função de recriar as cápsulas do tempo de Warhol (caixas onde ele guardava várias coisas cotidianas e lacrava). O problema da tal cápsula do tempo xerocada é que os visitantes são obrigados a deixar seus pertences guardados antes de entrar no Museu e ai resta muito pouco a se preservar na tal cápsula xerox. Aliás, ter que deixar as coisas guardadas foi um problema para mim na exposição: deixei meus óculos da bolsa no armário e não pude ler quase metade das plaquinhas de identificação da exposição.

Além do filme Kiss, onde intermináveis beijos projetados na parede do museu nos despertavam sensações, adorei ver a série de polaroides. Tanto os auto retratos quanto as fotos de famosos (coisa mais linda o Mick Jagger novinho!!!).

A curadoria de "Andy Warhol - Arte e Práticas para o Dia a Dia" é de Jéssica Gogan, do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, Pensilvânia, de onde vieram as obras. O curador brasileiro da exposição é Luiz Guilherme Vergara. A mostra fica até 2 de julho no Maes.

(minha serigrafia d'apres Andy Warhol feita na exposição)

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

hoje o dia esteve azul...




















Farol de Santa Luzia

ouvindo o som do silencio


Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

véus das palavras



Descortinar os véus
Das palavras não ditas
Das palavras mal ditas
Das palavras aflitas
Das palavras palafitas
Véus das palavras

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

abrigo

Domingo, 12 de Abril de 2009

Memória Perdida


Vídeo de Felipe Pereira Barros que gosto muito. A foto abaixo tem tudo a ver com memória perdida.

balanço

Sábado, 11 de Abril de 2009

Instante da Palavra



...como se fora seda
como se fora véu
um livro entre as maõs
palavras cheias de vida.

Todos os sentidos são
um véu cintilante
entremeado de alegrias e tristezas.

O mundo gira.

Fora da prisão
quantas vidas ainda pra viver
quantos rios ainda pra correr
tanto mar, quantas lágrimas
e apesar de tudo
muito por saber...
sete vidas
sete selos
sete chaves
sete portais de saberes
sete estrelas
sete chapéus
sete luas
sete sóis
tanta chuva...

em meio aos sentidos
o desafio
para o dia acontecer


Poema de Graça Graúna

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

O blog do vovô


Descobri recentemente que meu avô paterno, Eurípedes, de quem não me lembro (ele morreu quando eu ainda não tinha completado 2 anos de idade) mantinha um caderno de anotações dos acontecimentos importantes da família. Essa é a página onde está registrado o nascimento do meu pai, em 1928.

Meu avô escreveu no cabeçalho: "esse caderno nunca poderá ser destruído. É uma relíquia. É um pouco do nosso diário." Minha tia Nazinha (Edna) guardou o caderno. Ainda bem!
O mais estranho é o fato de meu avô não anotar no seu diário a morte de minha avó, Tercília. Ele não queria lembrar disso?