sábado, 27 de junho de 2009

você sempre esteve lá



Nos jornais de hoje (capas do dia 26), vários depoimentos dizendo o que senti desde quando soube da notícia da morte de Michael Jackson: ele era como um membro da família. E era mesmo. Um ídolo pop da minha geração, acompanhei o crescimento dele enquanto eu também crescia. Todas as suas estranhas transformações, seus escândalos ridículos de astro pop, seu embranquecimento inexplicável não o tornaram um estranho. Acima de tudo isso tem Billy Jean, e uma enorme vontade de caminhar na lua como ele fazia.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

For all - David Byrne interpreta Asa Branca

O clip é lindinho. Todos os elementos da cultura nordestina estão ali - o cangaço, a seca as xilogravuras do cordel, os instrumentos etc - e, no entanto, não tem nada do nosso nordeste. Um clip interessante para a gente pensar sobre a visão estrangeira sobre a nossa cultura.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

dezenove

hoje era pra gente ser feliz
hoje era pra gente rir junto,
fazer votos para o futuro.
hoje era pra eu te abençoar,
dar um beijo na sua testa
e te olhar com orgulho.
hoje era pra eu dizer: juízo!
e era pra você sorrir, me abraçar,
e responder: tenho de sobra!
hoje não era pra gente ser triste.
hoje era pra gente estar juntos.
hoje era pra ter um amanhã.
quando virá o futuro?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Queimem os livros!

Excelente crítica/manifesto de Claudio Brites sobre o ensino e a literatura, detonado a partir do episódio dos livros didáticos equivocados distribuídos nas escolas públicas de Sampa:

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Depois do que aconteceu com as Hqs e com o poema do Joca Terron eu pensei e considero que a literatura, concordo, deveria ser proibida, assim como a maconha.
teríamos, então literatura sendo traficada nos becos, que, convenhamos, é o lugar dela.
as pessoas se cutucariam quando vissem um roda de leitores na praça.
atravessariam a rua e abaixariam a cabeça.
escritores no bar seria motivo de blitz de charutos e ternos risca de giz.
concordo que a literatura deveria ser expurgada de todas as escolas.
onde é dissecada e emburrecida. perdida.
ignorada.
então os moleques cabulariam para ler.
cheirar as páginas, cheiro de livro.
para gozar no Cortiço e seus beijos suados.
xingar capitu de putinha dissimulada.
afinal o sexo no livro é muito mais sexo do que na novela.
no livro você volta e volta e re-lê e lê de novo.
vetem. proibam.
não foi assim que os quadrinhos ganharam força?
quando declarados proibidos e marginais?
vetem a literatura e quem sabe transtornamos tordorov e ela saia do perigo eminente de desaparecer.
Postado por Claudio Brites às 16:34


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Carta para Fernando



Vitória, 21 de setembro de 2008

Fernando,

Escrevo deitada em minha cama, sob o cobertor quente. A luz do abajur projeta uma sombra longa sobre o caderno e não enxergo muito bem o que escrevo. Eu poderia ir para o computador digitar essa carta, que você provavelmente nunca vai ler. Mas não faço isso: o aconchego da minha cama, do cobertor quente e da luz amarelada do abajur me alivia da dor que sinto desde que sai do cinema. Não falo de uma dor difusa na alma, mas de uma dor física objetiva, cabeça, tronco e membros, que a tensão provocada pelo seu filme me causou. O fato é que sai do cinema com uma dor na nuca que ainda persiste e incomoda. A dor causada pelo estado de constante tensão que o seu filme provocou em mim. Não aquela tensão do suspense, nem a da torcida pelo final feliz. É uma bem mais profunda, que se reflete fisicamente nos músculos e no estômago. É uma dor causada pelo desconforto, ou melhor, pelo desespero de ser humano e se reconhecer no espelho cristalino que você nos mostra no seu maravilhoso filme Ensaio sobre a Cegueira.

Antes de me refugiar aqui nessa cama quente vaguei várias vezes pela casa. Abri e fechei a geladeira e o armário da cozinha, não sei se procurando por algo que não estava lá ou se me certificando de que aqueles lugares ainda continham o meu alimento: um pedaço de queijo branco, uns filés de frango, cenouras, leite e pão.

Não li o livro do Saramago. Mas o pouco que já li dele foi o suficiente para reconhecer no seu filme o toque da mão do autor e os alicerces de sua construção literária. Suponho que a cidade despersonalizada, as pessoas sem passado e sem nomes e o conflito secular entre o bem e o mal são elementos do livro, criados pelo Saramago. Que bela dupla vocês me saíram! Quem somos nós nas situações limites que não apenas humanos? Não somos pátria, nem família, nem mesmo cidadãos. Somos apenas humanos. E nessa humanidade nos revelamos, para o bem ou para o mal.

E isso me espanta: como é que você consegue capturar assim a alma do escritor e a traduzir em uma escrita diversa, feita de luz, cor, cenários e rostos? E, mais intrigante ainda, como é que você consegue usar elementos tão simples, óbvios até, para compor uma escrita cinematográfica tão densa e precisa? Todas as suas escolhas no filme são basicamente óbvias: a luz branca e difusa, o esmaecimento das cores, a montagem linear, a cenografia do caos, o filme centrado na atuação dos seus atores. Tudo muito básico, quase primário em termo de linguagem. E, no entanto, você consegue juntar todos esses elementos de um jeito tão sensível, tão magistral, e fazer com eles uma obra prima, como um bom pintor misturando as cores na paleta e tirando delas, em pinceladas, um quadro único.

Agradeço a você e Saramago pelo Ensaio sobre a cegueira.

Com admiração,

Claudia

domingo, 17 de maio de 2009

uma saudade

Tenho saudades dessa mulher. Revendo a força da interpretação dela em "atrás da porta" fico pensando que Elis foi a maior cantora que o Brasil já teve. Poucos cantores conseguem nos emocionar tanto. Dizem que nessa apresentação, num especial para a TV, ela tinha acabado de se separar e a emoção foi totalmente real. Mas, acho que ela era totalmente verdadeira em todas as canções - ela sentia cada palavra das letras que cantava e isso penetrava na gente através da sua voz. Quais seriam seus compositores favoritos hoje se ainda fosse viva?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Oroborus


alimentar-se de si
comer o próprio rabo
renascer das próprias entranhas
foder-se incessantemente
e gestar a própria vida
no útero de si.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

projéteis


Tv de Bolso na abertura da exposição Projéteis, de Marcelo Gandini, na Galeria Homero Massena.

A música do vídeo é emoções à vista, texto e locução de Eduardo Ferreira e trilha original de Capileh Charbel. Música nos créditos finais: Chaiyya Chaiyya, Dil Se e Sukhwinder Singh.

sábado, 2 de maio de 2009

a esperança

Tenho esperança
Mas também tenho que ter confiança
Esperança de um mundo melhor
Mas não sei? Ele fica cada vez pior!

É só acreditar
Que um dia ele vai mudar e melhorar
Tudo limpo vai ficar.
Rios, florestas e até o mar!!!
E as pessoas poderão se banhar
Sem nada para reclamar.

É só acreditar que o mundo vai mudar
Ninguém fome vai passar
Pois as lavouras vão aumentar!
Todos amigos vão ficar!
Mendigos não vão existir
Os empregos vão evoluir
Mais famílias vão surgir.

Muitas pessoas dizem que eu não faço nada direito
Mas, pelo menos, por elas tenho respeito
E pela minha família, muito amor no peito.
Para viver vou ter que lutar
E muito trabalhar
Mas para meus filhos isso vou ensinar
Para no futuro o mundo melhorar!!!

(poema feito pelo meu filho, João Victor, em 2001, aos 10 anos de idade. Eu também tenho esperança, filho. Te amo!)


sábado, 25 de abril de 2009

pinhole day


Amanhã é o dia mundial da fotografia pinhole. Essa foto ai fiz hoje, pegando carona na latinha do professor Jo Name, no Centro de Artes, durante a oficina oferecida por ele e pelo professor Fábio Goveia, em homenagem à data. No primeiro plano, minha Caloi Terra e ao fundo o pezinho de cacau do Cemuni IV.

escolhas possíveis

(foto: Felipe Obrer)

um cão na noite
uma noite de cão

quinta-feira, 23 de abril de 2009

dos subterrâneos do sentir ao céu de cinzas pares

(chuva chegando em Guarapari)

É de gotas minúsculas de chuva que se faz o Oceano.
O sal, bem sei, vem das lágrimas dos rios e mares internos.

De palavra em palavra
vou tecendo meu oceano,
vou cantando meu sal
e renascendo das minhas cinzas.

(Poema de André Teixeira)

Projéteis


Quero conferir a exposição do Marcelo Gandini na Homero Massena. Gandini tem um trabalho muito consistente e essa nova exposição promete. Parece que ele está unindo suas duas faces numa só. A abertura será dia 28, às 20h. Dia 13 de maio, às 18h Gandini estará na galeria para um bate-papo com quem aparecer. A exposição pode ser vista das 10h às 18h, na galeria Homero Massena, Cidade Alta.

Na exposição Projéteis, Gandini reflete e pretende nos fazer refletir sobre a banalização da violência na sociedade. 12 alvos de treinamento de tiro perfurados por disparos de arma de fogo, pequenas caixas de acrílico com projéteis deformados utilizados nos disparos e os nomes das vítimas fatais atingidas por eles são os convites para o espectador refletir sobre a violência.

O artista plástico Marcelo Gandini também é o sargento Gandini, da Polícia Militar. A violência é matéria prima do seu trabalho na polícia. Longe de se acomodar numa vida de sargento, Gandini mostra sua inquietação utilizando os mais variados e inusitados meios. Restos de papel fotográfico dispensados pelos laboratórios de revelação viram expressão pura nas mãos do cara. Um pequeno barco, a Grandepequenacatraia, na baia de Vitória recebe uma busina de navio, na Bienal do Mar. E agora, unindo seus dois trabalhos, os projéteis utilizados para tirar vidas nos levam a pensar sobre a preciosidade que é viver. Viver em paz, sem sermos alvos fáceis de loucas balas perdidas.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Arte para o dia a dia

(Leo fotografando a mãe diante da Cow Wallpaper)

Hoje fui ver a exposição do Andy Warhol, no Maes. Se considerarmos o universo da produção do cara, a exposição tem poucas obras. Mas, é o suficiente para mostrar a diversidade das atividades do inquieto artista. Papa da Pop Art, Warhol queria mesmo era ficar rico com sua arte. Inventou, para isso, um jeito de reproduzir com menor esforço suas criações e vende-las para quem se dispusesse a pagar o melhor preço. Ser um mercenário da arte (coisa que ele próprio admitia), não o torna menos artista. Suas criações são pesquisas profundas sobre a visualidade, a impermanência da arte e o simulacro da obra. Além disso, Warhol deu novo significado ao cotidiano.
(Screen test, com Nuvens de Prata)

A Exposição do Maes - "Andy Warhol - Arte e Práticas para o Dia a Dia" - deixa bem claro a diversidade dessas pesquisas de Andy Warhol: além das serigrafias já conhecidas de todos (e reproduzidas ad infinitum em todos os suportes possíveis), a exposição traz para Vitória trabalhos poucos conhecidos e difíceis de encontrar, tais como os filmes em 16mm e os retratos e auto retratos em polaroides (obras lindas). Num dos filmes, Empire State, ele gravou por 8 horas seguidas, registrando as nuances das mudanças da luz do dia até a noite, num trabalho que lembra o impressionista Monet e as suas telas da Catedral de Rouen. Também podemos ver os famosos "screen test" com amigos e o filme Kiss (1963). A exposição reproduz, também, um pouco do clima da Factory, seu famoso estúdio, escritório e moradia, na réplica da exposição "Nuvens de Prata", de 1966.
(Kiss, com Nuvens de Prata)

Para quem quiser se divertir interagindo, a exposição conta ainda com uma mini oficina de serigrafia (que a gente pode fazer na hora) e uma máquina de xerox que tem a função de recriar as cápsulas do tempo de Warhol (caixas onde ele guardava várias coisas cotidianas e lacrava). O problema da tal cápsula do tempo xerocada é que os visitantes são obrigados a deixar seus pertences guardados antes de entrar no Museu e ai resta muito pouco a se preservar na tal cápsula xerox. Aliás, ter que deixar as coisas guardadas foi um problema para mim na exposição: deixei meus óculos da bolsa no armário e não pude ler quase metade das plaquinhas de identificação da exposição.

Além do filme Kiss, onde intermináveis beijos projetados na parede do museu nos despertavam sensações, adorei ver a série de polaroides. Tanto os auto retratos quanto as fotos de famosos (coisa mais linda o Mick Jagger novinho!!!).

A curadoria de "Andy Warhol - Arte e Práticas para o Dia a Dia" é de Jéssica Gogan, do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, Pensilvânia, de onde vieram as obras. O curador brasileiro da exposição é Luiz Guilherme Vergara. A mostra fica até 2 de julho no Maes.

(minha serigrafia d'apres Andy Warhol feita na exposição)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

véus das palavras



Descortinar os véus
Das palavras não ditas
Das palavras mal ditas
Das palavras aflitas
Das palavras palafitas
Véus das palavras

terça-feira, 14 de abril de 2009

domingo, 12 de abril de 2009

Memória Perdida


Vídeo de Felipe Pereira Barros que gosto muito. A foto abaixo tem tudo a ver com memória perdida.

balanço

sábado, 11 de abril de 2009

Instante da Palavra



...como se fora seda
como se fora véu
um livro entre as maõs
palavras cheias de vida.

Todos os sentidos são
um véu cintilante
entremeado de alegrias e tristezas.

O mundo gira.

Fora da prisão
quantas vidas ainda pra viver
quantos rios ainda pra correr
tanto mar, quantas lágrimas
e apesar de tudo
muito por saber...
sete vidas
sete selos
sete chaves
sete portais de saberes
sete estrelas
sete chapéus
sete luas
sete sóis
tanta chuva...

em meio aos sentidos
o desafio
para o dia acontecer


Poema de Graça Graúna

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O blog do vovô


Descobri recentemente que meu avô paterno, Eurípedes, de quem não me lembro (ele morreu quando eu ainda não tinha completado 2 anos de idade) mantinha um caderno de anotações dos acontecimentos importantes da família. Essa é a página onde está registrado o nascimento do meu pai, em 1928.

Meu avô escreveu no cabeçalho: "esse caderno nunca poderá ser destruído. É uma relíquia. É um pouco do nosso diário." Minha tia Nazinha (Edna) guardou o caderno. Ainda bem!
O mais estranho é o fato de meu avô não anotar no seu diário a morte de minha avó, Tercília. Ele não queria lembrar disso?

domingo, 5 de abril de 2009

"As pessoas têm que se indignar"


Em Vitória para participar do III Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Denis Mizne, diretor executivo do Instituto Sou da Paz, deu uma entrevista muito boa ao jornal A Gazeta. Confira algumas opiniões de Denis:

"Entre 1982 e 2000, foram estabelecidos 82 novos crimes, foi criada a Lei dos Crimes Hediondos, multiplicou-se a população prisional no país, aumentou o número de policias, e qual foi o resultado? De outro lado, o discurso descompromissado da violência como conseqüência era irresponsável, porque as pessoas morrem aos milhares. Temos no Brasil mais de 100 pessoas assassinadas por dia. E quantas são roubadas, vítimas de furtos? É preciso romper com a dicotomia. A violência tem causas sociais, sim, que precisam ser combatidas, mas demanda uma agenda específica que envolve repressão de um lado, e prevenção de outro."

"(...) Assim, com uma mão nego a violência e com outra ofereço organização, trabalho comunitário, diálogo, envolvimento com esporte, trabalho, cultura. Uma política preventiva bem feita, com um bom diagnóstico, público certo, redução de acesso às drogas, de armas em circulação. Quando eu adoto esse pacote, com repressão e prevenção de qualidade, a violência cai."

"A violência é seletiva - morrem mais jovens negros, pobres, moradores de periferia das cidades -, mas o medo é absolutamente democrático, no Brasil e no mundo."

"É fundamental entender isso. Pobreza não causa nem é igual a violência. O que tem algum grau de relação com a violência? Desigualdade. A tensão entre pessoas com muito e pessoas com muito pouco; a ausência do Estado; uma sociedade de consumo que valoriza o ter, e que também valoriza a cultura da violência. Um cara andando de Ferrari ao lado de outro que não tem dinheiro para pagar a passagem do ônibus. A chance de isso dar um coquetel explosivo é enorme. Dizemos que violento é aquele cara que assalta, mas não falamos o mesmo daquele que sonega Imposto de Renda, suborna pessoas, desvia dinheiro público. Porque se a gente apontasse, de maneira séria, onde está a maior concentração de criminosos por metro quadrado, certamente falaria do Congresso Nacional. O número de congressistas acusados e processados é enorme. E ali não há pobre."

"No Brasil, falar de valor é visto como coisa de conservador. Mas nas comunidades onde a gente trabalha, vemos que quem segura muitas famílias são as mães, que não deixam os filhos desviarem. Porque a tentação é muito grande, mas a imensa maioria das famílias do Brasil está dentro da lei. Se 5% da população pobre do Brasil estivessem no crime, a elite já estaria dizimada, porque a desigualdade é brutal."

"O problema é grande, mas é preciso que cause indignação, e não impotência. Quem fica em casa só reclamando está impotente. As pessoas têm que se indignar e cobrar. Há saída, sou otimista baseado na realidade. E tem muita coisa que cada um de nós pode fazer. A gente pode ocupar os espaços da cidade, contribuir para uma vida mais coletiva. Podemos educar nossos filhos com uma cultura mais humana, de solidariedade, e não na lógica da violência, que valoriza que eles briguem na escola, que impressionem pelo tênis ou pelo relógio que usam. Na hora de votar devemos abrir mão dos nossos interesses mesquinhos, escolher bem. Cobrar resultado do prefeito, do governador, do conselho da comunidade. Exigir uma abordagem voltada para o resultado, e não para o discurso."

"Não há dúvida de que o mercado criminoso consegue agregar tanto valor à droga por ela ser proibida e ilegal, que cria uma lógica de grupos que conseguem ter acesso a armas poderosíssimas, disputar territórios de cidades e colocar em risco a própria soberania do Estado brasileiro. Ah, então legaliza? Não, mas deve-se separar o usuário leve do traficante de drogas. O tráfico de drogas, associado à lavagem de dinheiro, deve ser duramente combatido. Enquanto as drogas forem proibidas no Brasil, as pessoas que estão comprando a sua maconha, a sua cocaína, estão contribuindo para esse ciclo de mortes a que nós estamos assistindo. Não há como dissociar uma coisa da outra. O dinheiro que sai do bolso delas está gerando milhares de homicídios. Mas o problema não é só do consumidor, é também do Estado, que deve fazer o que puder para proibir a entrada da droga e das armas pelas nossas fronteiras."

terça-feira, 24 de março de 2009

160 anos de Queimado















Oferendas na celebração de 160 anos da Insurreição do Queimado na Serra, dia 22 de março de 2009

sábado, 14 de março de 2009

Teses e poesis

Ontem no almoço um amigo me disse algo que traduz exatamente o que tenho sentido desde que voltei a estudar: "estou com saudade da literatura". Saudade da leitura fluida de um romance, do simples prazer de se deixar enredar por uma história que sabemos inventada.

Embora todo meu interesse pela teoria, acho a escrita teórica um tanto dura e repetitiva. Leio um texto teórico como quem tenta escalar o Everest. A boa literatura, ao contrário, é um abandono ao balanço da rede em sombra amena.

O texto teórico é um desafio constante (o que é ótimo). E, às vezes, é também monótono e repetitivo. Raramente é poético. Mas, podemos encontrar nele, algumas vezes, momentos de prazer e poesia. Como nesse trecho pinçado de V. Kójinov, um crítico muito ligado a Bakhtin em seus últimos anos de vida, intitulado A concepção bakhtiniana sobre poesia lírica, onde ele transcreve algumas anotações inéditas de Bakhtin:

...A autoridade do autor é autoridade do coro. A obsessão lírica é essencialmente uma obsessão coral. (...) Eu me ouço no outro, com outros e para outros. (...) O coro possível – eis uma posição firme e de autoridade. (...) Eu me encontro na voz (...) alheia. (...) Esta voz alheia, ouvida de fora, que organiza minha vida interior na lírica, é o coro possível, a voz concordante com o coro, e que sente fora de si o apoio coral possível (...) numa atmosfera do silêncio e do vazio absolutos, ela não poderia soar assim; o rompimento individual e completamente solitário do silêncio absoluto tem caráter lúgubre e pecaminoso, degenera em grito, que assusta e incomoda a si mesmo; o rompimento solitário e totalmente arbitrário do silêncio (...) é cinicamente injustificado. Uma voz só pode cantar (...) num ambiente de possível apoio coral.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A Faca no coração



Estas imagens fizeram parte da exposição A Faca no coração, realizada em 1988 durante a Semana Antimanicomial, no Rio de Janeiro. A Semana discutiu a questão manicomial brasileira. Fiz as fotos no Hospital Psiquiátrico de Jurujuba, em Niteroi. Na época cogitava-se a desativação do hospital. Pelo que pesquisei hoje, ele continua na ativa. Porém, uma série de mudanças foram implementadas. Se alguém souber mais notícias sobre o funcionamento atual de Jurujuba, comente aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Um meu espelho tão de mim diferente



Toco tuas mãos gordinhas
Pele suave que me toca
Seu olhar e o meu se procuram
Olhamo-nos em silêncios
Meu peito te alimenta e fortalece
Teu riso inocente me alimenta e fortalece
Teu sono logo vem
E te olho demoradamente nesse abandono
Um meu espelho tão de mim diferente
Um meu pedaço de gente
Em sono tranqüilo
Em abandono frágil e confiante
Em mim
Filho

Toco o vidro entre nós
Tocas o vidro entre nós
Entre minha mão e a tua um frio vidro
E mal te posso ver por entre o marejar dos nossos olhos
Lembro tuas mãos gordinhas, de pele suave
E é a elas que toco através do vidro
Entre tu e eu um grande abismo
Que nossos olhos transpõem
Onde teu sono tranqüilo?
Onde meu sono tranqüilo?
Onde o cálido som do seu ressonar no sono?
Nossos olhos se perguntam
Em abandono frágil e temeroso

Cinema Poetado









Cinemárvore literária


Um
Poe
Põe
Poesia
Poe Tree, Poetry

Na filmografia
Glauber
Stone

e um Eryk Rocha

Ruy dosa Guerra

entre Cinema e Literatura

De Rodrigo de Araújo (Drigo)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Nós vemos a cidade como a cidade nos vê






Instalação do artista Heraldo Ferreira Borges na praça Pio XII.

A Obra também integra a Bienal do Mar, que acabou sexta-feira, dia 6 de fevereiro.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Desmonte


Jo Name desmontando sua exposição Atenção Arte! na madrugada do dia 6 de fevereiro. Atenção Arte é uma exposição integrante da Bienal do Mar, proposta de intervenção urbana nas ruas de Vitória que acabou dia 6 de fevereiro de 2009.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Paralelos

(foto: Felipe Obrer)

As chuvas constantes desde novembro pintaram o caminho de verdes. Todos os verdes. O céu entreabria azul, mas estava matizado de brancos e de cinzas de nuvens de diferentes formatos. Se fosse um esquimó ela saberia o nome de cada branco que flutuava no azul. Ela observava toda a exuberância da natureza, em cada detalhe, guardando em seus olhos cada verde, cada azul e cada branco que podia. Ela olhava com seus olhos e neles guardava a paisagem para dar para ele. Ela sabia que ele só via cinza, semi-obscuridade e medo. Então guardava em seus olhos toda aquela paisagem que a chuva fez renascer para que ele também pudesse ver que a vida continuava para além das paredes cinza, dos muros altos e da dor. Essa dor, ela sabia, não podia aliviar ou dividir. Não podia tomar para si, aliviando-o da sua parte. Ela sofria sua própria dor, e ele sofria a dele. Isolados. Dores paralelas. Mas havia todos os verdes, azuis e brancos. Havia uma vida, que logo seria dele também. Como quem recolhe nas mãos em concha um pouco da água da nascente, ela recolhia as cores da paisagem para matar a sede dele. Até que ele pudesse beber a paisagem com seus próprios olhos.

sábado, 13 de dezembro de 2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Chaga



Tudo em mim é luto. Tudo é sangue vivo, chaga ardente.
Tudo é um vácuo sem respostas, um imenso túnel escuro.
Quero suas palavras banais, suas pequenas miudezas cotidianas.
Preciso descansar dessa ânsia, desse pesar insano,
No remanso de suas abstrações leves e suas cores primárias.
Talvez você me fizesse entender o sentido da dor.
E me trouxesse a calma de saber que nenhuma dor é infinita.
Ou talvez me desse um remanso onde pousar meu corpo
E me afagasse os cabelos em silêncio.
Talvez tirasse de mim a culpa que pesa meus membros
E essa névoa que cobre meu olhar.
Pois tudo em mim agora é névoa translúcida
Espaço inexistente onde caminho tateante e trôpega e só.

Proteção

(foto: Cristiane Neves)


Estou contigo a cada hora do dia.
Minha mão está no teu ombro,
Meu pensamento está em ti,
Meu coração no teu.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Medo do mar

Com medo do mar,
Minha ilha natal se atou
Com pontes e aterros
Ao continente e a outras ilhas,
Suas filhas menores.

Minha pobre ilhazinha,
Varrida de vento sul,
Por medo de ficar à deriva,
Criou raízes sobre os canais e a baia,
Afogou seu porto,
Escondeu seu horizonte.

Hoje moramos nós em aterros,
Trafegamos sobre aterros,
Trilhamos nossos caminhos
Sobre um mar que já se foi,
Que um dia esteve ali.

Ah, minha pobre ilha,
Que medrosa e tímida
Alarga-se sobre o mar,
Estende-se sobre os manguezais,
Recria-se outra, continental,
Metropolitana.

Não tenha medo do vento sul
Que lhe varre e perpassa
Nas tardes de domingo.
Deixe-se estar à deriva nesse mar,
Deixe-se encher de horizonte.

domingo, 26 de outubro de 2008

hermetando

A flauta desenha arabescos
nos meus ouvidos,
revirando o caldo pardacento
das dúvidas e das certezas
na funda panela oca
do meu pensamento.

Tento ajustar o compasso
e o rítmo já é outro.
me descompasso toda.
tomo fôlego,
mergulho no aquário.
Caço estrelas, desenho núvens,
conto os aviões que me sobrevôam.
(quem me sobrevoa neles?)

sábado, 25 de outubro de 2008

Onde estão os lugares que não existem?

-Tanzânia.
-heim?
-Tanzânia. O que você sabe da Tanzânia?
- Como assim? A terra do Tazz?
- Tazz?
- O diabo da Tanzânia... o desenho, lembra?
- É Tasmânia, ô, lesado!
- Tanzânia, Tasmânia ... nem faço idéia de onde ficam os dois...
- Tasmânia acho que é perto da Austrália. Ou é na Austrália. Ou nem existe, não sei direito. Se existe, deve ser no oceano Índico.
- Por quê?
- Sei lá! No oceano Índico é ficam esses lugares que não existem. Ou que existem e ninguém sabe direito.
- E a Tanzânia?
- Tanzânia, acho que é África. Olha ai no google...
- Pô, olha você. Não estou interessado na Tanzânia. Por que esse interesse pela Tanzânia agora?
- Ah, sei lá! Interesse nenhum. Me veio, sei lá. Olha aqui: África Oriental. Faz divisa com Uganda, Quênia, Moçambique, Malawi e Zâmbia. E ainda com a República do Congo, pelo lago Tanganica... E é banhado pelo oceano Índico. Sabia que tinha alguma coisa de oceano Índico!
- O tal oceano que banha os lugares que não existem ou que existem e ninguém sabe direito?
- Deixa de ironia... você também não sabia nada da Tanzânia. Olha aqui: aposto que já ouviu falar de Zanzibar... fica na Tanzânia.
- O azul de Zezebel, num céu de Zanzibar, feliz constelação... de quem é essa música mesmo?
- Não lembro. Pepeu? Tá com cara de música do Pepeu...
- E a Tanzânia, que mais que fala ai?
- Hum, você nem estava interessado...
- Ah, um lugar que tem Zanzibar deve ser interessante. Zanzibar não é um país também?
- Não. É um arquipélago que pertence à Tanzânia. Ah, mas era, olha aqui: Tanganica e Zanzibar eram países diferentes que se uniram e formam hoje a Tanzânia. Que, por sua vez, é considerado o berço da humanidade. Lá foram encontrados fósseis dos primeiros seres humanos. E também as mais antigas pegadas humanas na face da terra...
- Então é a terra de Adão e Eva?
- Pô, olha só: é lá que ficam o Kilimanjaro e o Lago Vitória. Então, já vi alguns documentários sobre a Tanzânia. Como é que eu não lembrava nada sobre a Tanzânia?
- A gente tem tanta coisa pra lembrar...quem é que vai se preocupar em lembrar da Tanzânia? Aliás, por que pensar na Tanzânia agora?
- Sei lá... deve ser um lugar lindo... lagos, cachoeiras enormes, arquipélagos, o Kilimanjaro... As neves do Kilimanjaro...
- Eu vi esse filme... é com o Bogart, né?
- As neves do Kilimanjaro...? Acho que não. Não é não. Acho que é com a Ava Gardner e aquele outro, lembra a música da Rita Lee... se a Débora Kerr que o Gregory... Gregory Peck!
- Não, Bogart e aquela outra, Katherine... a que tem Alzheimer...
- Hepburn... Ela tem Alzheimer?
- Acho que sim... Mas me fala do seu interesse repentino pela Tanzânia...
- Ah, nada. Só me lembrei da Tanzânia. Sei lá... de repente lembrei que esse lugar existe e que moram pessoas lá, outras viajam pra lá... não sei.... me imaginei lá, de repente.
- Você parece doida!

sábado, 18 de outubro de 2008

As flores de plástico não morrem...

Incompatibilidades

Tuas coisas leves,
Tuas frases breves,
Tuas mãos suaves.

Minhas mãos suadas,
Minhas frases truncadas,
Minhas tensões elevadas.

Teu olhar fugidio,
Meu olhar bravio,
E entre nós o frio.

Tua idéia concisa
Não resiste à brisa
Dessa pobre poetisa!

domingo, 12 de outubro de 2008

Samba da benção


Sempre bom ouvir:



É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba, não

Senão é como amar uma mulher só linda; e daí?
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão

Fazer samba não é contar piada
Quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não...

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Vínícius e Baden

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Nada que não rime

Nada tão complexo
Que não faça nexo no teu plexo
Que não mova teu sexo
Em busca do convexo

Nada de tão forte
Que te tire do teu norte
Que te deixe sem aporte
Ou te leve para a morte

Nada com sentido
Que te deixe carcomido
Que não te saia pelo outro ouvido
Que não possa ser espremido

Nada tão importante
Que te deixe tão distante
Que torne menos pulsante
Algo em nós tão relevante

Nada de tão ruim
Que te tire de mim.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Só hoje

"E afinal o que eu quero é fé...
É calma...
É não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isso. Abra as eclusas!
E basta de comédias em minh'alma..."
(Fernando Pessoa)

Hoje senti vontade de me organizar. Tirar a poeira da alma, passar um pano molhado nos sentimentos, limpar as gavetas do coração, jogar fora o lixo do desejo, colocar os arquivos da memória em ordem alfabética, tirar as teias de aranhas do teto da saudade. Senti vontade. Senti vontade de mandar consertar minha bússola quebrada, ajustar o relógio desse nosso tempo louco. Faxina geral em mim.
Olho em volta: a casa brilha, cheira bem. Quase tudo está em seu lugar. Não é um reflexo de mim. Tenho dentro de mim uma casa velha como o mundo, um castelo assombrado por velhas lembranças e velhos fantasmas. Incômodo? Não. Conforto. E também excitação de saber que sempre estarei descobrindo um cômodo a mais, uma porta secreta pra algum lugar estranho e novo.
Deixo tudo como está. Guardo no armário os baldes e as vassouras com os quais pretendia me limpar. Tenho preguiça de começar essa limpeza. Tenho apreço pelas minhas estantes empoeiradas e a bagunça desse meu pequeno mundo caótico que me surpreende de vez em quando.

domingo, 21 de setembro de 2008

Dois náufragos

(Primeiro de Outubro)

No teto, flutuando como náufragos
No mar azul turquesa dos lençóis,
Nossos corpos brancos.

Mordo morde minha carne. Sua
Carne branca pele quente
Dentro de mim,
Sobre você,
Dentro, fora, sobre,
Nem eu, nem você:
Dois náufragos refletidos
Num mar azul turquesa
De lençóis.

domingo, 14 de setembro de 2008

Noturno




Passeando à noite por Vitória ao som de Pedro Abrunhosa...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Cruzamento

Cruzo a cidade
em constante construção
(ela e eu).

Cruzo a cidade,
revirada
remodelada
(Atenção: homens trabalhando)

Cruzo a cidade presépio
A cidade túmulo
A cidade sirenes
A cidade jardins
A cidade encruzilhadas
De estranhos cidadãos
A cidade sol com o céu sempre azul.


Cruzo a cidade sem fôlego:
Preciso de ar
Preciso de afago
Preciso transformar esse minério que respiro
Em Carlos Drumond de Andrade.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Chuva


Chovia na janela. Chovia. Pingos finos, quase garoa, mas chovia. Depois de meses de poeira e calor, inverno fake, a chuva compassava música no quintal, aromatizava a casa de terra molhada. Ela chovia com a chuva, agasalhada, meias nos pés, café quente no início da noite, muita preguiça de tirar a roupa e deixar a água morna lavar o dia da pele. Ela chovia o seu falso inverno. Andava pela casa de meias, sem rumo certo, quarto, sala, cozinha, tentando lembrar de algo por fazer e sem vontade de fazer algo. Largar-se na frente da tv, talvez? Melhor ler um livro. Nem tv, nem livro, nem música – a chuva trilhassonorava a noite. A chuva que vinha das nuvens e a sua chuva interna, nebulosa, cumulus nimbus na alma. E ela abriu seu guarda-chuva cinza e agasalhou sua solidão.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vestidas de Branco





Exposição de Nelson Leirner no Museu da Vale

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

grafitado a fogo




desenhos feitos com fogo pelo João Victor